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domingo, 2 de maio de 2010

Metalinguística




METALINGUAGEM: linguagem utilizada para descrever ou formalizar outra linguagem, como, por exemplo, as definições dos dicionários e as noções gramaticais. (Dicionário Academia Brasileira de Letras)

Talvez não formalizar ou contextualizar o que é ser poeta. Talvez seja explicar o que realmente faz por quem realmente o é. Anos atrás, na primeira metade do século XX, estava sendo escrito Ser poeta, o texto metalinguistico de Florbela Espanca, que escreveu com sensibilidade e sentimento o que é escrever.

Ser poeta é ser mais alto, é ser maior
Do que os homens! Morder como quem beija!
É ser mendigo e dar como quem seja
Rei do Reino de Aquém e de Além Dor!

É ter de mil desejos o esplendor
E não saber sequer que se deseja!
É ter cá dentro um astro que flameja,
É ter garras e asas de condor!

É ter fome, é ter sede de Infinito!
Por elmo, as manhãs de oiro e de cetim...
é condensar o mundo num só grito!

E é amar-te, assim, perdidamente...
É seres alma, e sangue, e vida em mim
E dizê-lo cantando a toda a gente!

Esse texto eu acho lindíssimo, e está anotado no meu caderno de poesias (foto acima). Na segunda feira da semana passada, lembrei desse texto enquanto estudava metalinguistica. Acho que este texto consegue explicar por si mesmo o que ele é, já que o que o poeta escreve confunde-se consigo mesmo. Hoje lembrei dele de novo e pensei por quê não compartilha-lo com os leitores;

O motivo não era apenas apresentá-los à obra fascinante de Florbela, mas apresentar o que é ser poeta a tantos que escrevem. Sei que muitos dos blogs que tenho visitado são de jovens poetas, uns com quinze, vinte, trinta ou setenta anos, mas que devem compartilhar da opinião de Florbela, que via nessa arte algo muito além do céu.