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sábado, 24 de julho de 2010

Economia concisa


UMA DAS CARACTERÍSTICAS de alguns jovens hodiernos é a expressão de suas idéias de forma bem sucinta. Para tanto, 140 caracteres são suficientes. Caso contrário é só ir matando o português aos poucos, numa economia de letras nas palavras, onde é mais comum ler ‘vc’ do que ‘você’.

Uma boa redação é construída com, no mínimo, 18 ou 20 linhas. Mas com todo o comodismo da economia de palavras virtual, escrever em tantas linhas assim é uma tarefa difícil. Os textos acabam tornando-se vagos demais e as idéias não são coerentes. Isso não vale só para uma redação de vestibular, mas também para um texto que é enviado a um amigo para dizer como foram as férias.

Essa brevidade é vista também nos hábitos de leitura. Os que se acostumam a serem sucintos demais acabam caindo no senso comum de que: ler é chato. Aliás, pra quê Cervantes precisava de mais de 300 páginas para escrever a história do delirante Dom Quixote? É exaustivo ler porque se tornou exaustivo escrever bem, falar bem. A leitura cumpria o papel de servir como fonte de conhecimento de novas palavras, uma forma de melhorar a escrita, mas daí ela é deixada de lado e é ignorada por não ser lacônica e acaba não cumprindo o seu papel.

Perde-se o hábito de escrever bem, de ler e também de interpretar. Até mesmo a história de Macabeia, que tem poucas páginas, é chata por que tem que ser pensada, interpretada. Daí ser sucinto não vale só pela quantidade de palavras usadas, mas também pela quantidade de informações, de pensamentos que serão expressos. Se não há a constante interpretação, há a falta de senso crítico, que é adquirido assim, lendo e interpretando. As opiniões ou se tornam inexistentes ou são vagas demais.

A forma de mudar toda essa cultura é simples. Ganhe um dicionário e perca a preguiça de usar ele. Quando você achar que aquele adjetivo é grande demais para escrever, procure no dicionário seus sinônimos. Isso auxiliará também no conhecimento de novas palavras. Tente evitar ser sucinto em tudo e expresse as suas idéias mais recheadas de conhecimentos, mas não deixe que ela fique desnecessariamente longa.

Esqueça o incrível pensamento de que ler é chato. Julian Carax, personagem de A sombra do vento, disse ao seu amigo Jorge que você acha de uma leitura aquilo que na verdade você é. Acho que ele quis dizer algo como: aqui o chato é você. Pois é! Não queiram ser assim, nem todos os livros vão agradar você. Já que estamos tão acostumados com o mundo virtual, use a internet para pesquisar sobre livros que tenham histórias que você gosta. Se você já perdeu o hábito da leitura, comece por colunas de jornais e vá aumentando gradativamente até conseguir ler um clássico da literatura persa ou portuguesa.

Economizar às vezes é bom. Realmente certas coisas não precisam ser alongadas. Mas só certas coisas. Economizar em conhecimento não faz bem. E por mais que se diga que ler é preciso para isso ou para aquilo, a atitude de mudança começa por nós, quando optamos por nos tornar mais sábios deixando de ser assassinos da nobre língua portuguesa.

quinta-feira, 3 de junho de 2010

As evoluções de Alice

Antes da versão de Tim Burton de “Alice no país das maravilhas” e de “Alice do outro lado do espelho”, ambos escritos por Lewis Carroll, já haviam ganhado outras adaptações para o cinema e a TV. A primeira delas é da data de 1903 e foi filmada apenas 37 anos após a primeira edição da obra. Com sua duração original de 12 minutos, apenas 8 deles conseguiram ser restaurados pelo Arquivo Nacional Britânico. Com a direção de Cecil Hepworth e Percy Stow, reforma o formato tradicional do cinema ‘explicativo’ e passa a ter um roteiro feito em ordem mais cronológica. E para entender um pouco desse roteiro o público precisava saber um pouco de como era a obra.

Em 1951 os estúdios Disney criaram a sua versão, a mais conhecida antes da atual.


A segunda versão também é da Inglaterra e produzido para uma série de TV chamada de “The Wednesday Play” (1964-1970) produzida pela BBC. Com direção de Jonathan Miller, o filme ganha uma versão de filme de suspense. Feita em preto em branco no ano de 1966.

Em 1972 foi produzido, em Hollywood, o musical com direção de Willian Sterling


Em 1983 foi feita a versão japonesa pela Nippon Animations. Com 56 episódios as histórias tem um diferencial, Alice volta para casa em cada um deles.

E em 2010, chega a versão mais tecnológia. Produzido por Tim Burton, conta com atores conhecidos como Jhonny Deep e Anne Hataway. Feita em 3D alcançou milhões na bilheteria pelo mundo e hoje é a mais conhecida.

As versões de Alice permitem ver como o cinema tem se transformado, não apenas baseando-se na sua tecnologia, mas na própria forma de compor um roteiro, de vestir o personagens, nos artificios usados para criar efeitos visuais e até mesmo na repercursão que o filme causou na época. Todos eles transmitem alguma peculiariedade de seu tempo e intercalá-se entre os que foram feitos para adultos, outros para crianças e outros buscavam um caminho que agradasse os dois. E é claro, para cada tempo novas edições, ilustradas ou não, foram sendo editadas como livros.

Para conhecer mais e assistir a estas e outras versoes, acesse: Obrigado pelos peixes