MINHA INSPIRAÇÃO sumiu! Mas não como somem as coisas de que precisamos. Talvez sumisse como aquelas coisas que nunca usamos e quando precisamos, pecebemos que acabamos de a perder. Meu analista diz que eu a perdi por algum motivo trágico. Sei que não foi por isto. O motivo é o mesmo que você terá (ou já teve) quando arranja um emprego e um prazo de entrega! Daí eu entrei em desespero. Sensação de perseguição cognitiva, como na época de vestibular. A minha salvação neste caso é de que eu tive uma época muito produtiva com relação aos textos. Meu cérebro sempre adubado, germinava qualquer coisa que se plantasse. Depois as ideias surgiam sem muita necessitade e se mantinham por elas mesmas, como a terra pouco fértil da amazônia mas que garante sua biodiversidade.
Só que agora realizaram queimadas e eu nem percebi. Lá se foi meu solo, minha vegetação latifoliada, minhas araras e macaquinhos. Enfim, eu consegui um emprego de uma forma meio suspeita. Publicava os textos que eu escrevia na época da faculdade num blog, mas não o levava a sério. Porem Carlos Xerxes, que hoje eu chamo de patrão, me contratou assim.
É ironico, mas ele disse que eu tenho talento e me contratou para ser colunista. Aceitei na hora, uma chance dessas não se desperdiça. Duas semanas comemorando e escrevendo textos até que ela se vai. E sem despedida, porque assim eu poderia me preparar. Isso me deprime demais, é sério. Ainda mais quando penso que isso funcionava quando era apenas uma brincadeira e depois, quando vira um meio de ganhar dinheiro para comprar gibi, some!
Semana passada quando... (continua)

