Ache...

Mostrando postagens com marcador Tito Ferdinando. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Tito Ferdinando. Mostrar todas as postagens

domingo, 28 de março de 2010

Simples e Tito III

MINHA INSPIRAÇÃO sumiu! Mas não como somem as coisas de que precisamos. Talvez sumisse como aquelas coisas que nunca usamos e quando precisamos, pecebemos que acabamos de a perder. Meu analista diz que eu a perdi por algum motivo trágico. Sei que não foi por isto. O motivo é o mesmo que você terá (ou já teve) quando arranja um emprego e um prazo de entrega!

Daí eu entrei em desespero. Sensação de perseguição cognitiva, como na época de vestibular. A minha salvação neste caso é de que eu tive uma época muito produtiva com relação aos textos. Meu cérebro sempre adubado, germinava qualquer coisa que se plantasse. Depois as ideias surgiam sem muita necessitade e se mantinham por elas mesmas, como a terra pouco fértil da amazônia mas que garante sua biodiversidade.

Só que agora realizaram queimadas e eu nem percebi. Lá se foi meu solo, minha vegetação latifoliada, minhas araras e macaquinhos. Enfim, eu consegui um emprego de uma forma meio suspeita. Publicava os textos que eu escrevia na época da faculdade num blog, mas não o levava a sério. Porem Carlos Xerxes, que hoje eu chamo de patrão, me contratou assim.

É ironico, mas ele disse que eu tenho talento e me contratou para ser colunista. Aceitei na hora, uma chance dessas não se desperdiça. Duas semanas comemorando e escrevendo textos até que ela se vai. E sem despedida, porque assim eu poderia me preparar. Isso me deprime demais, é sério. Ainda mais quando penso que isso funcionava quando era apenas uma brincadeira e depois, quando vira um meio de ganhar dinheiro para comprar gibi, some!

Semana passada quando... (continua)

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Simples e Tito - Parte II

Parte I


Eu nunca ganhei meu primeiro videogame como os outros meninos. Isso foi traumático. E mesmo agora, 12 anos mais tarde, conto isto a vocês com imenso pesar na memória. O comercial passou e não tardei a pedir um a meu pai. Pedir não seria quase como ordenar. Eu não era de fazer pirraça, mas desta vez eu fiz. Era uma chance de me tornar bom em alguma coisa e recuperar meus amigos (não que eu os tenha perdido). E como todo pai fala, ele disse que iria perguntar a minha mãe. E como toda mãe fala, eu só iria ganhar se me comportasse.

É tão difícil cumprir ordens! Enfim voltei à vida em sociedade e fui comer mais algumas amoras para refrescar o cérebro. Depois, passei à casa de Jordânia, minha melhor amiga, e sentamos nos beirais da varanda a conversar horas a fio. Já estava de tarde e minha mãe foi me chamar. Despedi-me de Jordânia e corri para casa. Mamãe ia sair e deixaria minha irmã e eu aos cuidados de Tia Perpetua.

As ordens me foram claras. Posso simplificá-las como sendo: Não faça nada que você faria normalmente e, sobretudo, não mecha com o cachorro. Mas não adiantou, se passaram 20 segundos e eu estava entediado. Os meus amigos tinham saído. Jordânia e Ana Júlia estavam estudando junto de Tia Perpétua, e eu estava ‘sozinho’. Mas nada que um bom e novo amigo canino.

O nosso cachorro não era bem nosso, uma amiga da minha mãe estava viajando e deixou-o lá em casa. Fui até a garagem onde ele estava gentilmente hospedado e abri a porta. O cachorro estava dormindo, mas eu não. Cheguei bem perto dele, mas decidi o deixar em paz quando achei minha bola de basquete. Para pegá-la, precisava passar pelo cachorro. Com todo o cuidado do mundo, dei um pulinho sobre Bob (é, era o nome do cão), mas na volta, o pé esbarrou nele. E eu cai! A bola também e bateu na cabeça de Bob.

Eu corri, corri como vocês não imaginam. Tive a nítida impressão de tratar-se de um urso e não de um cachorro! Subi numa das árvores lá de casa, que até hoje, não sei quais frutos davam. Fiquei ali por horas ouvindo Bob latir. Estava anoitecendo, ele cansou-se e foi dormir de novo. Fiquei tranquilizado até notar que eu não sabia descer e estava escurecendo. Mas eu gritei. Gritei bastante. Tia Perpétua também me gritou bastante. Mas não ouvíamos um ao outro.

Mamãe chegou com o videogame e uma bronca. Eu consegui descer de modo mágico, mas que me rendeu uns arranhões estranhos. Fiquei nervoso quando soube que só iria poder brincar com o videogame no outro dia, então fui ver TV. Eu estava com muita raiva, liguei a TV em qualquer buraco e ela queimou! Resultado: Quem ganhou o meu primeiro videogame foi meu primo Pedro, o injustiçado de todas as histórias que chorou tanto por isto. O próximo só apareceu quando eu tinha 8 anos, e ainda era o modelo antigo.

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Simples e Tito (parte I)


Pois bem, vamos ao ponto! Eu fui um ótimo filho, melhor seria impossível, tudo isto segundo minha mãe. Porém, caso alguém diga a ela: “Tito era um amorzinho de criança” ela discorda. E não está sem motivo. Tia Perpetua que o diga! Mesmo com o passaporte carimbado para sua casa a hora que quisesse, o meu fascínio era pular o muro e depenar o pé de amora de sua casa.


Outra coisa que me era inquietante: as tardes em que meu primo mais novo, o Pedro, ia passar lá em casa. Meu amigo Paco sempre estava lá. Adorávamos implicar com Pedro, não sei por quê. Quanto mais que ele se irritasse mais o perturbávamos até ele ir brincar com as meninas. Três minutos depois ele voltava resmungando, prometia dar em troca alguma guloseima fora de hora, e depois, brincávamos normalmente, sem implicar nem nada.

Para mim, o futebol no campinho perto da minha casa era obrigatório. Mas os machucados eram indispensáveis. Uma vez quebrei a perna. Mas o que doía na verdade era a minha cabeça e coração, de decepção e tristeza por saber que meu time agora perderia o melhor atacante dos dois times: Eu. Sempre achei que seria impossível de ganhar sem mim.


Minha mãe saiu correndo de casa para me socorrer. Eu não costumava me machucar muito como os outros, mas quando acontecia era pra valer. Quando ela chegou, eu estava tentando levantar e jogar. Ela me agarrou subitamente, me colocou no carro e seguimos até o hospital. Nesta hora a raiva me invadia, era para eu estar jogando! Nem me dei conta de que fui atendido nesse tempo até a hora de colocar o gesso.


O grande problema do médico é que eu era vingativo. Na minha mente de criança de sete anos a culpa era todo dele já que, se ele não existisse, eu não precisaria me consultar e continuaria a jogar. Não pensei duas vezes. Na hora que ele chegou perto, eu o agarrei pelas orelhas e dei-lhe uma cabeçada. Ninguém socorreu o médico. Primeiro veio uma grande equipe me conter, colocar o gesso e me mandar logo para casa.


Quando cheguei a casa, descobri que meu time ganhou, mesmo sem eu. Fiquei muito arrasado. Para mim estava provado de que eu não jogava futebol como antes. Eu me achava um fracasso. Tive uma reação ‘anormal’: fiquei emburrado e disse que não queria mais falar com ninguém. Meu pai até que tentou me fazer voltar ao normal, mas foi em vão. Durante a minha semana exclusivo-reflexiva, ele jogou todos os jogos de tabuleiro que nós tínhamos, até passar O comercial e eu pedir um videogame.

(Continua na próxima semana)

História de Ana Júlia, irmã de Tito (clique aqui).