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sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Simples e Tito (parte I)


Pois bem, vamos ao ponto! Eu fui um ótimo filho, melhor seria impossível, tudo isto segundo minha mãe. Porém, caso alguém diga a ela: “Tito era um amorzinho de criança” ela discorda. E não está sem motivo. Tia Perpetua que o diga! Mesmo com o passaporte carimbado para sua casa a hora que quisesse, o meu fascínio era pular o muro e depenar o pé de amora de sua casa.


Outra coisa que me era inquietante: as tardes em que meu primo mais novo, o Pedro, ia passar lá em casa. Meu amigo Paco sempre estava lá. Adorávamos implicar com Pedro, não sei por quê. Quanto mais que ele se irritasse mais o perturbávamos até ele ir brincar com as meninas. Três minutos depois ele voltava resmungando, prometia dar em troca alguma guloseima fora de hora, e depois, brincávamos normalmente, sem implicar nem nada.

Para mim, o futebol no campinho perto da minha casa era obrigatório. Mas os machucados eram indispensáveis. Uma vez quebrei a perna. Mas o que doía na verdade era a minha cabeça e coração, de decepção e tristeza por saber que meu time agora perderia o melhor atacante dos dois times: Eu. Sempre achei que seria impossível de ganhar sem mim.


Minha mãe saiu correndo de casa para me socorrer. Eu não costumava me machucar muito como os outros, mas quando acontecia era pra valer. Quando ela chegou, eu estava tentando levantar e jogar. Ela me agarrou subitamente, me colocou no carro e seguimos até o hospital. Nesta hora a raiva me invadia, era para eu estar jogando! Nem me dei conta de que fui atendido nesse tempo até a hora de colocar o gesso.


O grande problema do médico é que eu era vingativo. Na minha mente de criança de sete anos a culpa era todo dele já que, se ele não existisse, eu não precisaria me consultar e continuaria a jogar. Não pensei duas vezes. Na hora que ele chegou perto, eu o agarrei pelas orelhas e dei-lhe uma cabeçada. Ninguém socorreu o médico. Primeiro veio uma grande equipe me conter, colocar o gesso e me mandar logo para casa.


Quando cheguei a casa, descobri que meu time ganhou, mesmo sem eu. Fiquei muito arrasado. Para mim estava provado de que eu não jogava futebol como antes. Eu me achava um fracasso. Tive uma reação ‘anormal’: fiquei emburrado e disse que não queria mais falar com ninguém. Meu pai até que tentou me fazer voltar ao normal, mas foi em vão. Durante a minha semana exclusivo-reflexiva, ele jogou todos os jogos de tabuleiro que nós tínhamos, até passar O comercial e eu pedir um videogame.

(Continua na próxima semana)

História de Ana Júlia, irmã de Tito (clique aqui).

7 comentários:

kbritovb disse...

bem legal até aki
quero ver a sequencia

Leonardo Pinheiro disse...

até aqui ta legal, quando você escrever, me diz que volto aqui para ler o resto...
que Deus te abençoe!!
parabéns

Daniel disse...

Blog bem legal! Parabéns!

Esther disse...

Nossa! que conteúdo! O universo numa casca de noz, calvim e este belo começo de estória que me deixou com vontade de ler o final!
Parabéns!!
queres parceria??
to seguindo vc
xeru

Mayara disse...

aah, adorei (:
Adoro estórinhas :3
quero ver a sequência, não demore á postá-la ok?
beijo .
http://aboutbliss.blogspot.com/

Antonio Junior disse...

Adoro esses contos...
Sempre quis saber escrever assim, mas nunca consigo...

Parabens mesmo, otimo trabalho...

www.dando-dicas.blogspot.com

Lorena Zurc disse...

Ae! que lindo,adoro isso.